Dr. Cézar Kabbach, Neurocirurgia

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Convulsão: o que fazer (e o que não fazer) na hora

Um guia rápido de primeiros socorros para você não travar no susto e saber quando é emergência.

Escrito por Dr. Cézar Kabbach, neurocirurgia vascular e base do crânio·6 min de leitura

Ver alguém ter uma crise convulsiva assusta, e no susto quase todo mundo faz a coisa errada. Deixa eu te passar, de forma simples, o que realmente ajuda e o que pode piorar.

A regra dos 5 minutos

A maioria das crises dura de 1 a 3 minutos e passa sozinha. Por isso, a primeira coisa é olhar o relógio e cronometrar.

Se chegar a 5 minutos, ou se vierem várias crises seguidas sem a pessoa recuperar a consciência entre elas, vira uma emergência (estado de mal epiléptico): ligue 192 (SAMU). É quando a crise deixa de parar sozinha e precisa de tratamento.

Ilustração da posição lateral de segurança
A posição lateral. Deitar a pessoa de lado evita que ela engasgue com saliva ou vômito durante a crise. É a coisa mais útil que alguém pode fazer na hora.Imagem: Rama, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

O que fazer

Deite a pessoa de lado (evita engasgo), afaste objetos que possam machucar, proteja a cabeça com algo macio e afrouxe a roupa do pescoço. Fique junto até passar.

Depois da crise é normal ficar confuso e sonolento: acolha com calma, sem cobrar respostas.

“A crise pode durar no máximo 5 minutos. Se durar mais do que 5 minutos, tem que chamar o SAMU.”

Dr. Cézar Kabbach, no consultório

O que nunca fazer

Não coloque a mão nem objetos na boca: ninguém engole a língua, e isso machuca os dois. Não segure a pessoa à força e não dê água nem remédio durante a crise. Proteja, não contenha.

Depois que a crise passa, o que fazer

A crise termina e começa a parte que ninguém explica. É esperado que a pessoa fique confusa, sonolenta e sem lembrar do que aconteceu, às vezes por dezenas de minutos. Acolher com calma, sem cobrar respostas e sem oferecer água enquanto ela não estiver plenamente desperta, é tudo o que precisa ser feito nesse momento.

Vale anotar o que você viu, porque essa informação é ouro para o médico e ninguém lembra direito depois. Quanto tempo durou, se começou por um lado do corpo, se os olhos desviaram para algum lado, se houve mordedura de língua ou perda de urina, e quanto tempo levou para a pessoa voltar ao normal. Se der para filmar com segurança, um vídeo curto vale mais que qualquer descrição.

Procure atendimento sempre que for a primeira crise da vida, quando ela vier depois de um trauma na cabeça, quando houver febre associada, quando a recuperação demorar muito mais que o habitual, quando a pessoa se machucou na queda, ou quando as crises mudaram de padrão em quem já tem diagnóstico. E ligue para o SAMU na hora se passar de cinco minutos ou se vierem crises seguidas sem recuperação entre elas.

“Às vezes parece que a crise para, mas ela continua disparando. E isso não é bom.”

Dr. Cézar Kabbach, no consultório
Ligue 192 imediatamente se

A crise passar de 5 minutos, vierem crises seguidas sem a pessoa recuperar a consciência entre elas, for a primeira crise da vida, houver dificuldade para respirar ou a pele ficar azulada, a crise tiver acontecido dentro da água, houver trauma na cabeça, febre alta, gravidez, ou a pessoa não voltar ao normal depois de alguns minutos.

Como isso chega no consultório

Praticamente todo mundo que já viu uma crise de perto me conta a mesma coisa: travou. E quase todo mundo fez alguma coisa que não deveria, quase sempre tentar abrir a boca da pessoa. Por isso este guia é curto e prático. Cronometrar, deitar de lado, proteger a cabeça e ficar junto resolvem a maior parte das situações. O número que precisa ficar guardado é o cinco: passou de cinco minutos, ou vieram crises seguidas sem a pessoa recuperar a consciência, é hora de chamar o SAMU.

Situação ilustrativa, montada a partir de atendimentos reais. Nenhum paciente específico é descrito.

O vocabulário do seu laudo

As palavras que aparecem no exame e quase nunca são explicadas.

Estado de mal epiléptico
Crise que passa de cinco minutos ou crises seguidas sem recuperação da consciência entre elas. É emergência.
Período pós-ictal
O tempo depois da crise, com confusão, sonolência e falta de memória do episódio. É esperado.
Aura
Sensação que antecede a crise em algumas pessoas e pode servir de aviso para procurar um lugar seguro.
Posição lateral de segurança
Deitar a pessoa de lado para evitar que ela engasgue com saliva ou vômito.

Para levar com você

  • A maioria das crises dura 1 a 3 minutos e passa sozinha.
  • 5 minutos é o limiar de emergência: cronometre sempre.
  • Deite a pessoa de lado, proteja a cabeça e afaste objetos.
  • Nunca coloque nada na boca nem segure à força.
  • Mais de 5 min ou crises em salva = 192 (SAMU).
  • Depois da crise, acolha a confusão e a sonolência.

Perguntas para levar à consulta

Anote as respostas. Sair da consulta com isso escrito vale mais do que tentar lembrar depois.

  1. O que provavelmente causou essa crise?
  2. Preciso de algum exame agora?
  3. Vou precisar de medicação contínua?
  4. O que fazer se acontecer de novo, passo a passo?
  5. Existe alguma restrição, como dirigir, altura ou natação?
  6. O que a minha família deve saber para agir na hora?

Este guia nasceu de perguntas reais de consultório e tem finalidade educativa. Ele não substitui uma avaliação médica: o diagnóstico e a conduta dependem do seu exame e das suas imagens.

Referências

  1. Trinka E et al. A definition and classification of status epilepticus, ILAE Task Force. Epilepsia, 2015. Base do limiar dos 5 minutos. DOI
  2. Glauser T et al. Evidence-based guideline: treatment of convulsive status epilepticus. American Epilepsy Society, Epilepsy Currents, 2016. DOI

Imagem: Rama, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

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Perguntas que eu mais escuto sobre isso

O que fazer quando alguém tem uma convulsão?
Deite a pessoa de lado para evitar engasgo, afaste objetos que possam machucar, proteja a cabeça com algo macio e afrouxe a roupa do pescoço. Fique junto até passar.
Em quanto tempo a convulsão vira emergência?
A maioria das crises dura de 1 a 3 minutos e passa sozinha. Se chegar a 5 minutos, ou se vierem várias crises seguidas sem a pessoa recuperar a consciência entre elas, ligue 192. É o estado de mal epiléptico.
Pode colocar a mão ou algum objeto na boca?
Nunca. Ninguém engole a língua, e isso machuca os dois. Também não se deve segurar a pessoa à força nem dar água ou remédio durante a crise. Proteja, não contenha.
O que eu devo anotar depois de uma crise?
Quanto tempo durou, se começou por um lado do corpo, se os olhos desviaram, se houve mordedura de língua ou perda de urina, e quanto tempo levou para a pessoa voltar ao normal. Se der para filmar com segurança, o vídeo ajuda muito o médico.
É normal ficar confuso e sonolento depois?
É esperado, e pode durar bastante tempo. Nesse período o melhor a fazer é acolher com calma, sem cobrar respostas e sem oferecer água enquanto a pessoa não estiver plenamente desperta.
Quando a crise exige procurar um médico mesmo tendo passado rápido?
Sempre que for a primeira crise da vida, quando vier depois de trauma na cabeça, com febre, quando a pessoa se machucou, quando a recuperação demorou muito mais que o habitual, ou quando o padrão mudou em quem já tem diagnóstico.

Convive com crises?

Se você ou alguém que você cuida tem crises e quer entender o tratamento e o acompanhamento certo, vamos conversar com calma.

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