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Convulsão: o que fazer (e o que não fazer) na hora
Um guia rápido de primeiros socorros para você não travar no susto e saber quando é emergência.
Ver alguém ter uma crise convulsiva assusta, e no susto quase todo mundo faz a coisa errada. Deixa eu te passar, de forma simples, o que realmente ajuda e o que pode piorar.
A regra dos 5 minutos
A maioria das crises dura de 1 a 3 minutos e passa sozinha. Por isso, a primeira coisa é olhar o relógio e cronometrar.
Se chegar a 5 minutos, ou se vierem várias crises seguidas sem a pessoa recuperar a consciência entre elas, vira uma emergência (estado de mal epiléptico): ligue 192 (SAMU). É quando a crise deixa de parar sozinha e precisa de tratamento.
O que fazer
Deite a pessoa de lado (evita engasgo), afaste objetos que possam machucar, proteja a cabeça com algo macio e afrouxe a roupa do pescoço. Fique junto até passar.
Depois da crise é normal ficar confuso e sonolento: acolha com calma, sem cobrar respostas.
“A crise pode durar no máximo 5 minutos. Se durar mais do que 5 minutos, tem que chamar o SAMU.”
O que nunca fazer
Não coloque a mão nem objetos na boca: ninguém engole a língua, e isso machuca os dois. Não segure a pessoa à força e não dê água nem remédio durante a crise. Proteja, não contenha.
Depois que a crise passa, o que fazer
A crise termina e começa a parte que ninguém explica. É esperado que a pessoa fique confusa, sonolenta e sem lembrar do que aconteceu, às vezes por dezenas de minutos. Acolher com calma, sem cobrar respostas e sem oferecer água enquanto ela não estiver plenamente desperta, é tudo o que precisa ser feito nesse momento.
Vale anotar o que você viu, porque essa informação é ouro para o médico e ninguém lembra direito depois. Quanto tempo durou, se começou por um lado do corpo, se os olhos desviaram para algum lado, se houve mordedura de língua ou perda de urina, e quanto tempo levou para a pessoa voltar ao normal. Se der para filmar com segurança, um vídeo curto vale mais que qualquer descrição.
Procure atendimento sempre que for a primeira crise da vida, quando ela vier depois de um trauma na cabeça, quando houver febre associada, quando a recuperação demorar muito mais que o habitual, quando a pessoa se machucou na queda, ou quando as crises mudaram de padrão em quem já tem diagnóstico. E ligue para o SAMU na hora se passar de cinco minutos ou se vierem crises seguidas sem recuperação entre elas.
“Às vezes parece que a crise para, mas ela continua disparando. E isso não é bom.”
A crise passar de 5 minutos, vierem crises seguidas sem a pessoa recuperar a consciência entre elas, for a primeira crise da vida, houver dificuldade para respirar ou a pele ficar azulada, a crise tiver acontecido dentro da água, houver trauma na cabeça, febre alta, gravidez, ou a pessoa não voltar ao normal depois de alguns minutos.
Praticamente todo mundo que já viu uma crise de perto me conta a mesma coisa: travou. E quase todo mundo fez alguma coisa que não deveria, quase sempre tentar abrir a boca da pessoa. Por isso este guia é curto e prático. Cronometrar, deitar de lado, proteger a cabeça e ficar junto resolvem a maior parte das situações. O número que precisa ficar guardado é o cinco: passou de cinco minutos, ou vieram crises seguidas sem a pessoa recuperar a consciência, é hora de chamar o SAMU.
Situação ilustrativa, montada a partir de atendimentos reais. Nenhum paciente específico é descrito.
O vocabulário do seu laudo
As palavras que aparecem no exame e quase nunca são explicadas.
- Estado de mal epiléptico
- Crise que passa de cinco minutos ou crises seguidas sem recuperação da consciência entre elas. É emergência.
- Período pós-ictal
- O tempo depois da crise, com confusão, sonolência e falta de memória do episódio. É esperado.
- Aura
- Sensação que antecede a crise em algumas pessoas e pode servir de aviso para procurar um lugar seguro.
- Posição lateral de segurança
- Deitar a pessoa de lado para evitar que ela engasgue com saliva ou vômito.
Para levar com você
- A maioria das crises dura 1 a 3 minutos e passa sozinha.
- 5 minutos é o limiar de emergência: cronometre sempre.
- Deite a pessoa de lado, proteja a cabeça e afaste objetos.
- Nunca coloque nada na boca nem segure à força.
- Mais de 5 min ou crises em salva = 192 (SAMU).
- Depois da crise, acolha a confusão e a sonolência.
Perguntas para levar à consulta
Anote as respostas. Sair da consulta com isso escrito vale mais do que tentar lembrar depois.
- O que provavelmente causou essa crise?
- Preciso de algum exame agora?
- Vou precisar de medicação contínua?
- O que fazer se acontecer de novo, passo a passo?
- Existe alguma restrição, como dirigir, altura ou natação?
- O que a minha família deve saber para agir na hora?
Este guia nasceu de perguntas reais de consultório e tem finalidade educativa. Ele não substitui uma avaliação médica: o diagnóstico e a conduta dependem do seu exame e das suas imagens.
Referências
- Trinka E et al. A definition and classification of status epilepticus, ILAE Task Force. Epilepsia, 2015. Base do limiar dos 5 minutos. DOI
- Glauser T et al. Evidence-based guideline: treatment of convulsive status epilepticus. American Epilepsy Society, Epilepsy Currents, 2016. DOI
Imagem: Rama, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
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Perguntas que eu mais escuto sobre isso
O que fazer quando alguém tem uma convulsão?
Em quanto tempo a convulsão vira emergência?
Pode colocar a mão ou algum objeto na boca?
O que eu devo anotar depois de uma crise?
É normal ficar confuso e sonolento depois?
Quando a crise exige procurar um médico mesmo tendo passado rápido?
Convive com crises?
Se você ou alguém que você cuida tem crises e quer entender o tratamento e o acompanhamento certo, vamos conversar com calma.
Atendimento particular · Instituto Neuros, Piracicaba · Resposta em poucas horas
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