Dr. Cézar Kabbach, Neurocirurgia

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Aneurisma: clipar ou embolizar? Entendendo as opções

Os dois caminhos para tratar um aneurisma, e o que realmente pesa na escolha do seu caso.

Escrito por Dr. Cézar Kabbach, neurocirurgia vascular e base do crânio·5 min de leitura

Descobrir que tem um aneurisma já assusta; ouvir “clipagem” e “embolização” confunde ainda mais. Deixa eu te explicar os dois caminhos com calma. E adianto: os dois são excelentes.

A clipagem (cirúrgica)

Pela cirurgia, eu chego até o aneurisma e coloco um clipe no “pescoço” dele, fechando-o por fora. É a técnica cirúrgica clássica, a minha base.

A vantagem: costuma fechar o aneurisma de forma mais durável e definitiva.

Cirurgia de aneurisma sob microscópio cirúrgico
A clipagem acontece assim: sob o microscópio, por corredores que já existem entre as estruturas do cérebro, até chegar ao colo do aneurisma. A embolização é feita por dentro do vaso, com cateter, sem abrir o crânio.Imagem: Acervo do Dr. Cézar Kabbach

A embolização (endovascular)

Por dentro do vaso, sem abrir o crânio, o aneurisma é preenchido com micromolas que o fecham por dentro.

A vantagem: é menos invasiva, com uma recuperação geral costumeiramente mais leve.

“Pra mim não existe aneurisma fácil. Toda cirurgia é uma cirurgia, tem que ser tratada com respeito.”

Dr. Cézar Kabbach, no consultório

O que decide

Não existe “a melhor”, existe a melhor pra você. O que pesa é o tamanho e o formato do aneurisma, onde ele está no cérebro, a sua idade e saúde, e o que faz sentido pra sua vida.

A decisão é sempre compartilhada, feita junto: você, eu e a equipe.

O que muda depois de cada caminho

A diferença entre as duas técnicas não termina na sala de cirurgia. Ela continua no acompanhamento, e essa parte quase nunca é explicada antes.

Depois de uma clipagem completa, aquele aneurisma foi fechado por fora e tende a permanecer fechado. O seguimento com imagem costuma ser bem mais espaçado. A contrapartida é uma cirurgia de verdade, com abertura do crânio, alguns dias de internação e uma recuperação inicial mais lenta.

Depois de uma embolização, a recuperação imediata costuma ser mais leve, porque não houve abertura. A contrapartida aparece no seguimento: exames de controle ao longo do tempo, porque uma parte dos aneurismas tratados por dentro pode reabrir e precisar de um retoque. E quando o tratamento envolve stent, entram antiagregantes por um período, o que pesa em quem já toma outras medicações ou tem outras cirurgias planejadas.

Nenhuma dessas contrapartidas torna uma técnica pior que a outra. Elas só entram na conversa junto com o desenho do aneurisma e com a sua vida, e é a soma disso que define a escolha.

“Se você passar com dez médicos diferentes, você vai ter dez opiniões diferentes. A gente não fala mal de ninguém.”

Dr. Cézar Kabbach, no consultório
Como isso chega no consultório

Uma dúvida que aparece quase sempre é a que a pessoa já chegou com ela decidida por conta própria, depois de ler na internet que uma técnica é melhor que a outra. Eu costumo desmontar isso logo no começo. Já indiquei embolização para paciente que queria cirurgia aberta, e já indiquei cirurgia para quem chegou pedindo o cateter. O que decide não é a preferência de ninguém, é o desenho do aneurisma e a pessoa que o carrega. Quando fica claro que os dois caminhos são bons e que a escolha é do caso, a conversa muda de tom.

Situação ilustrativa, montada a partir de atendimentos reais. Nenhum paciente específico é descrito.

O vocabulário do seu laudo

As palavras que aparecem no exame e quase nunca são explicadas.

Clipagem
Cirurgia aberta em que um clipe é colocado no colo do aneurisma, fechando-o por fora.
Embolização
Tratamento feito por dentro do vaso, com um cateter, preenchendo o aneurisma com micromolas.
Colo do aneurisma
A base que liga o aneurisma à artéria. O formato e a largura desse colo pesam muito na escolha da técnica.
Stent e desvio de fluxo
Dispositivos colocados dentro da artéria para dar suporte às molas ou para desviar o sangue do aneurisma, fazendo-o fechar ao longo do tempo.
Recanalização
Quando um aneurisma tratado por dentro volta a receber sangue e precisa de um retoque. É o motivo do seguimento com imagem.

Para levar com você

  • Existem 2 caminhos, e os dois são excelentes.
  • Clipagem: um clipe fecha o aneurisma por fora, mais durável.
  • Embolização: micromolas o fecham por dentro, menos invasiva.
  • A escolha depende do aneurisma (tamanho, forma, local).
  • E depende de você (idade, saúde, o que quer da vida).
  • É decidido junto: você, o cirurgião e a equipe.

Perguntas para levar à consulta

Anote as respostas. Sair da consulta com isso escrito vale mais do que tentar lembrar depois.

  1. No meu caso, as duas técnicas são possíveis ou só uma delas?
  2. Por que você recomenda essa e não a outra?
  3. Como fica o acompanhamento depois, com exames e por quanto tempo?
  4. Vou precisar tomar alguma medicação contínua depois?
  5. Quanto tempo de internação e de recuperação eu devo esperar?
  6. Quem faz o procedimento e onde ele seria feito?

Este guia nasceu de perguntas reais de consultório e tem finalidade educativa. Ele não substitui uma avaliação médica: o diagnóstico e a conduta dependem do seu exame e das suas imagens.

Referências

  1. Molyneux AJ et al. ISAT: 18-year follow-up of clipping versus coiling. Lancet, 2015. DOI
  2. Spetzler RF et al. The Barrow Ruptured Aneurysm Trial (BRAT): 6-year results. J Neurosurg, 2015. DOI
  3. Johnston SC et al. Predictors of rehemorrhage after treatment of ruptured aneurysms (CARAT). Stroke, 2008. DOI

Imagem: Acervo do Dr. Cézar Kabbach.

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Perguntas que eu mais escuto sobre isso

O que é a clipagem de aneurisma?
É a técnica cirúrgica clássica: o cirurgião chega até o aneurisma e coloca um clipe no pescoço dele, fechando-o por fora. A vantagem é que costuma fechar o aneurisma de forma mais durável e definitiva.
O que é a embolização?
É o tratamento feito por dentro do vaso, sem abrir o crânio: o aneurisma é preenchido com micromolas que o fecham por dentro. A vantagem é ser menos invasiva, com uma recuperação em geral mais leve.
Qual das duas é melhor?
Não existe a melhor: existe a melhor para você. O que pesa é o tamanho e o formato do aneurisma, onde ele está no cérebro, a sua idade e a sua saúde, e o que faz sentido para a sua vida. A decisão é compartilhada.
Depois do tratamento eu vou precisar de exames de controle?
Depende da técnica. Depois de uma clipagem completa o seguimento com imagem costuma ser bem mais espaçado. Depois de uma embolização, os exames de controle são parte do plano, porque uma parcela dos aneurismas tratados por dentro pode reabrir e precisar de retoque.
Vou precisar tomar remédio contínuo depois?
Na clipagem, em geral não. Quando o tratamento endovascular envolve stent, entram antiagregantes por um período, o que precisa ser considerado em quem toma outras medicações ou tem outras cirurgias planejadas.
A embolização é sempre a opção mais segura por não abrir o crânio?
Menos invasiva não é sinônimo de melhor para o seu caso. A escolha depende do desenho do aneurisma, da artéria envolvida, da sua idade e da sua saúde. Existem aneurismas em que a via endovascular é claramente a melhor, e outros em que ela não é a indicada.

Clipar ou embolizar?

Se descobriram um aneurisma e você quer entender qual caminho faz mais sentido pro seu caso, vamos conversar com calma.

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